Essa área do nosso website pretende responder algumas das dúvidas mais comuns da população em geral acerca das Células Tronco e sua Pesquisa Científica. 


P. O que são as células tronco? 

R. Podemos dizer que as células tronco são células “em branco”, não diferenciadas, que ainda não têm uma função específica, mas que sob determinadas condições podem ser estimuladas a formar órgãos e tecidos especializados. Elas são como um microchip vazio, que poderá ser então programado para realizar diferentes tarefas de forma especializada. Adicionalmente, elas são auto sustentáveis e podem se multiplicar por longos períodos de tempo. Em última análise, são células indiferenciadas que têm a capacidade de se multiplicar e se diferenciar em células especializadas. 

Essa característica única faz da pesquisa com células tronco um celeiro de promessas no tratamento de doenças degenerativas como o Mal de Alzheimer, Câncer, Parkinson, Diabetes Tipo I, Lesões da Espinha Dorsal, Acidentes Vasculares, Queimaduras, Doenças Cardíacas, Osteoartrites e Artrite Reumatóide. 

Atualmente, órgãos e tecidos doados são freqüentemente utilizados para substituir aqueles originais que foram danificados ou destruídos. Infelizmente, o número de pessoas necessitando de transplantes ultrapassa em muito o número doadores disponíveis e as células tronco têm uma potencialidade de suprir células e tecidos que poderão ser usados no tratamento de varias doenças . 


P. De onde vêm as Células Tronco? 

R. Todos os seres humanos começam suas vidas como uma única célula, chamada de zigoto, que é formada pelo conhecido processo de fertilização. O zigoto se divide e forma então duas novas células, que por sua vez dividem-se novamente e assim por diante...

Aproximadamete 5 dias após a concepção, temos uma massa esférica, chamada de blastocisto, contendo em torno de 150 células agrupadas. O blastocisto é menor que um grão de areia e possui dois tipos celulares, o trofoblasto e a massa celular interna. As células tronco embrionárias são aquelas que constituem a massa celular interna do blastocisto, e podem se diferenciar em qualquer outro tecido no adulto – Pluripotentes.

As células tronco também podem ser encontradas em vários tecidos no adulto, ainda que em pequenas quantidades, como é o caso daquelas da medula óssea. Células tronco adultas são tipicamente programadas para formar diferentes tipos celulares dos seus próprios tecidos – Multipotentes.

As células tronco adultas não são identificadas em todos os órgãos vitais. Em alguns tecidos, como o cerebral, embora existam, não apresentam uma grande atividade biológica, e não respondem imediatamente frente a uma lesão ou perda celular. Uma das linhas atuais de pesquisa na área é justamente explorar os caminhos pelos quais essas células já existentes no organismo poderão crescer e estabelecer o tipo celular adequado para substituir aqueles que foram danificados.

As células tronco também podem ser obtidas através de outras fontes mais accessíveis como o cordão umbilical do recém-nascido, sendo que mais recentemente os cientistas identificaram também no líquido aminiótico e tecido dentário dos recém-nascido... Sua cultura “in vitro” é possível apenas por um tempo limitado, entretanto, a pesquisa científica com essas células tem se mostrado extremamente fértil e promissora.


P. Quais são os potenciais empregos para as células tronco humanas? 

R. A maioria das nossas células especializadas não consegue ser substituída por processos naturais, quando são seriamente agredidas por traumatismos ou doenças. As células tronco poderão ser utilizadas para formar novas células especializadas, saudáveis e funcionantes, que poderão num próximo momento substituir aquelas funcionalmente debilitadas.

A substituição de células doentes por outras saudáveis, chamada de terapia celular, é semelhante ao processo dos transplantes, com a diferença de que se utiliza células em vez de órgãos. Trata-se, portanto, de uma alternativa viável para fazer frente à demanda de doadores, pela utilização de células tronco adultas, fetais e embrionárias que poderão ser usadas para tratar uma série de doenças. 

Por exemplo, no Mal de Parkinson, as células tronco podem ser usadas para formar um tecido especializado de células nervosas que secretam dopamina. Teoricamente, essas estruturas podem ser transplantadas para o paciente, re-conectando o cérebro e restaurando a função, estabelecendo assim o tratamento desejado.

P. Quais obstáculos ainda precisam ser superados para que possamos utilizar completamente as células-tronco?

R. Um dos principais obstáculos é justamente a dificuldade em se identificar células-tronco em tecidos adultos, que contém um grande misto de vários tipos celulares. Este processo de identificação e cultura de tipos apropriados de células-tronco, geralmente muito raros nos tecidos adultos, envolve um extenuante trabalho de pesquisa. 

Uma vez que as células-tronco estiverem identificadas e isoladas, condições ideais de cultivo devem ser disponibilizadas para que possamos ter a melhor diferenciação em células especializadas. Isso também requer muita experimentação. De uma forma geral, células-tronco fetais e embrionárias são tidas como mais versáteis do que as de tecido adulto, entretanto, os cientistas ainda estão procurando o equilíbrio e o controle dessa diferenciação. Por terem um maior potencial de crescimento, as células-tronco embrionárias devem ser monitoradas a fim de se evitar a diferenciação desenfreada e a formação de tumores.

Quando essas questões estiverem resolvidas, a implantação humana das células especializadas, aquelas que derivaram das células–tronco, passa a ser um tópico de grande interesse e preocupação. Essas células têm que se integrar ao tecido próprio do receptor e “aprender” a se funcionar harmonicamente com as células naturais do organismo. Células cardíacas que se contraem num meio de cultura podem não contrair no ritmo adequado ao do paciente receptor.... 

Outro desafio ainda é o fenômeno da rejeição. Da mesma forma que nos transplantes de órgãos, o sistema imune do hospedeiro pode reconhecer essas células transplantadas como estranhas, desencadeando um processo de reação orgânica muitas vezes com grande gravidade. A melhor utilização de imunomoderadores é também uma importante barreira a ser transposta pelos pesquisadores dessa área.

Dessa forma, vemos que a pesquisa com células-tronco e suas aplicações para tratamento de várias doenças está em seu estágio inicial. Entretanto, experimentos com animais têm demonstrado um caminho promissor fazendo crer que tudo seja uma questão de tempo para que possamos colher os mesmos bons resultados nas aplicações humanas com células-tronco.


P. Onde as células-tronco podem ser encontradas?

R. Nos embriões recém-fecundados (blastocistos), criados por fertilização in vitro - aqueles que não serão utilizados no tratamento da infertilidade (chamados embriões disponíveis) ou criados especificamente para pesquisa; nos embriões recém-fecundados criados por inserção do núcleo celular de uma célula adulta em um óvulo que teve seu núcleo removido - reposição de núcleo celular (denominado clonagem); nas células germinativas ou órgãos de fetos abortados; nas células sanguíneas de cordão umbilical no momento do nascimento; em alguns tecidos adultos (tais como a medula óssea) e células maduras de tecido adulto reprogramadas para ter comportamento de células-tronco. 


P. Qual é a diferença entre célula-tronco embrionária e célula tronco adulta? 

R. A célula-tronco embrionária (pluripotente) é uma célula primitiva (indiferenciada) de embrião que têm potencial para se tornar em uma variedade de tipos celulares especializados, de qualquer órgão ou tecido do organismo. Já a célula-tronco adulta (multipotente) é uma célula indiferenciada encontrada em um tecido diferenciado, que pode renovar-se e (com certa limitação) diferenciar-se para produzir o tipo de célula especializada do tecido do qual se origina. 


P. Por que é bom armazenar o sangue do cordão umbilical da criança? 

R. Porque no cordão umbilical se encontra um grande número de células-tronco hematopoiéticas, fundamentais no transplante de medula óssea. Se houver necessidade do transplante, essas células de cordão ficam imediatamente disponíveis e não há necessidade de localizar o doador compatível e submetê-lo à retirada da medula óssea. 


P. As células-tronco podem ajudar na terapia de quais doenças? Como os tratamentos são feitos? 

R. Algumas doenças que seriam beneficiadas com a utilização das células-tronco embrionárias são: Câncer - para reconstrução dos tecidos; Doenças do coração - para reposição do tecido isquêmico com células cardíacas saudáveis e para o crescimento de novos vasos; Osteoporose - por repopular o osso com células novas e fortes; Doença de Parkinson - para reposição das células cerebrais produtoras de dopamina; Diabetes - para infundir o pâncreas com novas células produtoras de insulina; Cegueira - para repor as células da retina; Danos na medula espinhal - para reposição das células neurais da medula espinal; Doenças renais - para repor as células, tecidos ou mesmo o rim inteiro; Doenças hepáticas - para repor as células hepáticas ou o fígado todo; Esclerose lateral amiotrófica - para a geração de novo tecido neural ao longo da medula espinal e corpo; Doença de Alzheimer - células-tronco poderiam tornar-se parte da cura pela reposição e cura das células cerebrais; Distrofia muscular - para reposição de tecido muscular e possivelmente, carreando genes que promovam a cura; Osteoartrite - para ajudar o organismo a desenvolver nova cartilagem; Doença auto-imune - para repopular as células do sangue e do sistema imune; Doença pulmonar - para o crescimento de um novo tecido pulmonar. 

P. Os tratamentos são muito caros? 

R. Sim. Para se ter uma idéia dos valores seguidos nos Estados Unidos, coleta e processamento das células do cordão umbilical custam U$ 1.325 e a estocagem anual das células em nitrogênio líquido U$ 95 por ano. Terapia celular para doadores autólogos, isto é, que usam sua própria medula óssea como fonte de células-tronco, aproximadamente U$ 80 mil e, se for transplante celular alogênico, isto é, de células provenientes de um doador compatível que não ele próprio, de U$ 90 mil a US$ 150 mil. A procura por um doador compatível varia de U$ 7 mil a U$ 9 mil. 


P. No Brasil, onde já se faz tratamentos com células-tronco? 


R. Os tratamentos com células-tronco no Brasil são feitos apenas em grandes centros de pesquisa e hospitais de ponta, e somente para pacientes que assinam um termo de consentimento e concordam em participar desses estudos clínicos. 
Recentemente, o Ministério da Saúde aprovou um orçamento de R$ 13 milhões em três anos para a pesquisa das células-tronco da qual participam alguns grandes hospitais brasileiros como o Instituto do Coração - SP, Instituto Nacional de Cardiologia de Laranjeiras - RJ, entre outros. Serão estudadas as cardiopatias chagásicas (decorrente da doença da Chagas), o infarto agudo do miocárdio, a cardiomiopatia dilatada e a doença isquêmica crônica do coração. 
Como a terapia utiliza células-tronco autólogas, o estudo não sofre influência da Lei de Biossegurança. Além dessa grande pesquisa, o Brasil está investindo em terapia com células-tronco voltada a outras doenças, como é o caso da distrofia muscular, esclerose múltipla, câncer, traumatismo de medula espinhal, diabetes etc. 


P. Qual é o futuro da terapia com células-tronco? 

R. Podemos destacar os seguintes aspectos: : Compreensão dos mecanismos de diferenciação e desenvolvimento; Identificação, isolamento e purificação dos diferentes tipos de células tronco adultas; Controle da diferenciação de células-tronco para tipos celulares alvo necessários para o tratamento das doenças; Conhecimento para desenvolver transplantes de células-tronco compatíveis; Nos transplantes de células-tronco: demonstração do controle apropriado do crescimento, bem como a obtenção do desenvolvimento e função de célula normal; Confirmação dos resultados bem-sucedidos dos animais em seres humanos. 


P. Quais são os argumentos dos cientistas, do ponto de vista ético, para defender o uso das células-tronco? 

R. 1. Células tronco embrionárias possuem o atributo da pluripotência, o que quer dizer que são capazes de originar qualquer tipo de célula do organismo, exceto a célula da placenta.
2. Sabe-se que 90% dos embriões gerados em clínicas de fertilização e que são inseridos em um útero, nas melhores condições, não geram vida.
3. Embriões de má qualidade, que não têm potencial de gerar uma vida, mantêm a capacidade de gerar linhagens de células-tronco embrionárias e, portanto, de gerar tecidos. 
4. A certeza de que células-tronco embrionárias humanas podem produzir células e órgãos que são geneticamente idênticos ao paciente ampliaria a lista de pacientes elegíveis para tal terapia. 
5. É ético deixar um paciente afetado por uma doença letal morrer para preservar um embrião cujo destino é o lixo? Ao utilizar células-tronco embrionárias para regenerar tecidos de um paciente não estaríamos criando uma vida? 

P. Em quais países já é permitido usar células-tronco? 

R. Inglaterra, Austrália, Canadá, China, Japão, Holanda, África do Sul, Alemanha e outros países da Europa. 

 

 

 

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