Entenda a
polêmica sobre as células-tronco
LEONARDO MEDEIROS
da Folha Online
O Projeto de Biossegurança pretende
regulamentar e estabelecer regras para a
pesquisa, o cultivo e a comercialização dos
OGMs (Organismos Geneticamente Modificados)
e substituir a legislação de 1995,
descaracterizada por inúmeras medidas
provisórias e decisões judiciais.
Por ser uma questão que toca em uma área sensível, a
econômica, é natural que os transgênicos
permaneçam no centro dos debates.
Porém a lei também quer estabelecer meios para
"proteger a vida, a saúde humana, animal e
vegetal [...] em atendimento ao Princípio da
Precaução". Trocando em miúdos, o projeto
cria uma legislação específica para
problemas recentes, como a clonagem e a
manipulação de embriões. E aí entra a
resistência a algumas pesquisas com
células-tronco.
Células-tronco são como curingas, ou seja, células
neutras que ainda não possuem
características que as diferenciem como uma
célula da pele ou do músculo, por exemplo.
Essa capacidade em se diferenciar em outros tecidos têm
chamado a atenção dos cientistas. Cada vez
mais pesquisas mostram que as células-tronco
podem recompor tecidos danificados e, assim,
teoricamente, tratar um infindável número de
problemas, como alguns tipos de câncer, o
mal de Parkinson e de Alzheimer, doenças
degenerativas e cardíacas ou até mesmo fazer
com que pessoas que sofreram lesão na coluna
voltem a andar.
Por enquanto, sobram esperanças e faltam pesquisas que,
embora aceleradas, ainda estão em estágio
inicial.
Basicamente, há dois tipos de células-tronco: as
extraídas de tecidos maduros de adultos e
crianças ou as de embriões.
No caso das extraídas de tecidos maduros como, por
exemplo, o cordão umbilical ou a medula
óssea, as células-tronco são mais
especializadas e dão origem a apenas alguns
tecidos do corpo.
Já as células-tronco embrionárias cada vez se mostram
mais eficazes para formar qualquer tecido do
corpo. Esta é a razão pela qual os
cientistas desejam tanto pesquisar estas
células para possíveis tratamentos. O
problema é que, para extrair a
célula-tronco, o embrião é destruído.
Segundo os cientistas, seriam usados apenas embriões
descartados pelas clínicas de fertilização e
que, mesmo se implantados no útero de uma
mulher, dificilmente resultariam em uma
gravidez. Ou seja, embriões que
provavelmente nunca se desenvolverão.
Porém, essa idéia esbarra na oposição de setores
religiosos e grupos anti-aborto que
consideram que a vida começa no momento da
concepção.
Para tornar a questão ética ainda mais complexa, o
implante de células-tronco seria mais eficaz
se extraído de um embrião clonado do próprio
paciente, pois evitaria o risco de rejeição.
Esse procedimento só não serviria para
pessoas que apresentam doenças genéticas. |