Cérebro de rato
é tratado com célula-tronco humana
12/03/2007
Fonte: Estadão
Editoria: Ciência & Meio ambiente
Da redação
É a primeira vez que célula-tronco humana
trata com sucesso doença em animais
WASHINGTON - Células-tronco humanas
retiradas de fetos e embriões retardaram em
ratos o aparecimento de uma doença fatal,
avançando pelo cérebro para assumir o
trabalho de neurônios danificados, disseram
cientistas no domingo, 11.
Segundo os pesquisadores, esse trabalho, publicado na
revista Nature Medicine, representa a
primeira vez que uma célula-tronco
embrionária humana trata com sucesso uma
doença em animais.
Evan Snyder, do Instituto Burnham de
Pesquisa Médica em La Jolla, na Califórnia,
responsável pelo estudo, disse que sua
equipe espera em breve testar seu método em
crianças vítimas de uma doença cerebral
fatal e incurável, chamada mal de Sandhoff.
Em seu artigo, os cientistas disseram também que essa
abordagem pode levar a novas formas de
tratar diversas doenças neurodegenerativas,
como Parkinson, Alzheimer e Lou Gehrig
(esclerose lateral amiotrófica). Para o seu
estudo, Snyder e seus colegas usaram ratos
cultivados com uma forma equivalente ao mal
de Sandhoff.
"Crianças com a doença têm grave retardamento mental e
disfunção motora, e a morte tipicamente
ocorre na infância", disseram os
pesquisadores, entre os quais cientistas das
universidades de Oxford (Reino Unido) e
Yonsei (Coréia do Sul), entre outras. A
enfermidade em questão se caracteriza por
uma inflamação que mata as células
cerebrais.
A equipe de Snyder usou células-tronco embrionárias,
retiradas de embriões humanos com alguns
dias de vida, que sobram em clínicas de
fertilidade, e também células-tronco de
fetos humanos.
O grupo transplantou essas células para o
cérebro de ratos e notou que não havia
problemas. Não se formaram tumores, os ratos
não "rejeitaram" as células estranhas e o
tratamento pareceu reduzir a inflamação.
Os ratos tratados viveram 70% a mais do que os não
tratados. A doença acabou voltando, mas
Snyder acredita que ela poderia ser mantida
à distância com injeções de reforço das
células-tronco, que substituiriam as funções
das células cerebrais naturais que sofrem
mutações.
As células-tronco são muito valorizadas
pelos cientistas porque contêm um "manual de
instruções" de todo o organismo, podendo dar
origem a uma ampla variedade de órgãos e
tecidos. |