Bebê nasce e
pode curar o irmão
14/03/2007
Fonte: Cruzeiro Net
Editoria: Saúde
Da redação
No último sábado nasceu Milena, que pode
curar Messias, seu irmão que sofre de
mielodisplasia. O nascimento da menina foi
na Santa Casa e houve a retirada de sangue
do cordão umbilical para que a célula-tronco
seja usada no tratamento. Esse é mais um
caso de coleta de célula-tronco em Sorocaba,
como mostrou reportagem do Cruzeiro do Sul
sobre o tema, na semana passada.
Aos dois meses de vida do menino Messias foi descoberta
anomalia no seu sangue que pode evoluir para
leucemia. Hoje, com dois anos, ele faz
acompanhamento mensal no Grupo de Pesquisa e
Assistência ao Câncer Infantil (Gpaci) de
Sorocaba e responde aos tratamentos. A boa
notícia para a família pode vir do
nascimento de sua irmãzinha, Milena. “Quando
engravidei levantamos a possibilidade de
coletar o sangue do cordão umbilical para
necessidades futuras”, explica a mãe,
Cristina Epifania da Silva, 27 anos. Ela diz
que com o passar do tempo, o quadro pode se
complicar. “O médico disse que seria uma
correria para encontrar doador compatível.
Já estamos garantindo”.
Na próxima consulta, em 22 de abril, os pais ficarão
sabendo sobre a compatibilidade. “Somos
evangélicos. Tenho esperanças de que o
resultado será positivo”. Mirian, 4, é a
filha mais velha do casal. “Infelizmente,
ela não é compatível com o irmão”, lamenta o
pai Josivaldo Paulo da Silva, 32.
Entre os pacientes do Gpaci, este foi o
terceiro caso de pais que armazenam o sangue
do cordão umbilical para uso futuro. Os
outros procedimentos foram realizados em
2005 e 2006. “A probabilidade não é de 100%,
por isso não recomendamos uma gravidez com o
único objetivo de usar as células do
cordão”, explica o oncologista e diretor
técnico do Gpaci, Gustavo Neves. Nos três
casos ainda não houve necessidade de usar o
material.
“É indolor, tanto para a mãe como para a criança. Não
altera em nada o parto nem o período de
recuperação de ambos”, explica a
ginecologista e obstetra Érica Alessandra
Rodrigues, responsável pelo parto de Milena.
“São 30 dias para o resultado de
compatibilidade. No caso de irmãos de mesmo
pai e mãe, as chances chegam a 80%”, conta a
médica voluntária.
O procedimento, apesar de simples é caro. Na rede
particular, a coleta gira em torno de R$ 4
mil, além de R$ 600, aproximadamente, para a
anuidade do armazenamento. O Sistema Único
de Saúde (SUS) oferece bancos públicos de
cordão umbilical, nos quais o material fica
disponível para anônimos.
O provedor da Santa Casa de Misericórdia,
José Antônio Fasiaben, destaca investimentos
em equipamentos de ponta. “Nossa equipe
passa por atualização constante. Parcerias
como a do Gpaci, são de fundamental
importância. Nos três casos as famílias não
tinham condições de realizar o procedimento
e colocamos toda estrutura à disposição para
os partos”, diz Fasiaben. Ele acredita que a
cidade deverá ter, em breve, seu próprio
banco de análise e armazenamento de
célula-tronco. (Colaborou Regina Helena
Santos) |